
Movido por tímidas referências errantes à língua portuguesa decidi, pela primeira vez, trazer um momento muito sério à Psicasténica. Bom…não é a primeira vez. É a segunda, pois já o fizera anteriormente em Julho de 2006 com o post “Foi na Loja do Mestre André” como poderão consultar nos nossos ficheiros clínicos. Adiante. Hoje vou manifestar indignação a propósito dos abusos de linguagem. Não é que a malta fale mal, mas de vez em quando lá se esticam e banalizam o significado de alguns vocábulos e expressões. Atentemos no exemplo: é uma situação real que presenciei na 2ª mão das meias-finais da última Liga dos Campeões entre Milan e Manchester United. Estava eu no meu poiso habitual para consumir futebol e diz um habitué nestes negócios da bola a referir-se a Kaká: “este Kaká até nem é mau”. Pois o simpático anónimo referiu-se ao melhor jogador da actualidade como…ATÉ NEM É MAU? Mas que porra? Qualquer dia, diremos que o Lance Armstrong foi um ciclista jeitosinho e que George W. Bush é apenas ligeiramente distraído. Nos antípodas temos aquela gente que hiperboliza algo aparentemente banal. Ora reparemos: a primeira vez que fui acampar exclama um amigo meu num misto de desagrado e repugnância enquanto começava a beber um leite com chocolate que provavelmente se esqueceu de agitar: “leite achocolatado espesso…é a pior coisa que me podem dar!”. Realmente. O que é um banho de álcool num peito onde passou um esfregão de palha-de-aço durante vinte minutos comparado a um pacote de Nesquik por agitar? E este género de apreciações: “os tremoços estão divinais!”. Bem…esta pessoa quando vê nata no leite quente, deve classificá-la de tenebrosa. Quando o caramelo se cola aos dentes, deve ser uma situação apocalíptica… Ou outra situação que presenciei no trabalho em que um verdadeiramente angustiado senhor me dizia com alguma agonia: “sabe quanto tempo o meu processo esteve parado nos serviços? Sabe? DEZ DIAS!!! É desumano!”. Provavelmente só comparável aos campos de concentração nazis. Confesso-me desinspirado, mas tinha que o dizer. Nada contra…afinal…”herrar” é “umano”.
SUB-LODO





