
“Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Sub-Lodo viu-se na cama, metamorfoseado num monstruoso ser”
Estou deitado de costas e vejo o meu corpo transformado num corpo peludo, sinto uma dor no rabo e reparo em dois pormenores: a camisa com padrão de toalha de cozinha nas costas da cadeira à minha frente e um tubo de vaselina na mesinha de cabeceira. Inconscientemente visto a camisa, um fato folclórico e saio para a rua quase que obrigado por uma força que não controlo. As pessoas que se cruzam comigo olham-me com repugnância e cospem-me em cima. Ainda sem ser dono de mim, entro num edifício e sigo até um espaço amplo, com luzes e cores garridas onde dezenas de pensionistas aos saltos ao som de uma música aberrante tentam agarrar-me e beijocar-me. Não sou dono do meu ser e passo o dia com gestos compulsivamente abichanados e risinhos histéricos. Cheiro a lar de terceira idade quando me dirijo acefalamente para onde penso ser a minha casa. É noite. Entro no meu quarto onde me espera um homem sorridente com o tubo de vaselina na mão. Num espasmo de fúria controlo a minha vontade por breves instantes e corro para um espelho. Merda…sou o Manuel Luís Goucha…
Sub-Lodo



