domingo, setembro 17, 2006

Dá-me cá uns abalos ao pífaro.

Provavelmente
muitos de vós conhecem a expressão que hoje entitula este breve exercício de mateologia. Mas, pergunto eu, já alguma vez, no vosso íntimo, naquele profundo do vosso ser suficientemente profundo para isso, se perguntaram mas afinal, o que é essa coisa de abalar o pífaro?
Não? Então vou dar-vos agora essa oportunidade... fechem os olhos, respirem fundo e continuem a ler.
Os abalos ao pífaro são como os abalos sísmicos... dependem da intensidade. Assim, e mais uma vez, para tornar o mundo num mundo melhor, a bichinho inova e propõe a escala de bichinho para avaliar a intensidade dos abalos ao pífaro:

Grau 1: Abalitos no pífaro

São os da praia, no calor do verão e os que acontecem sempre que um gajo sem tendências brokebackmoutainianas vê uma gaja... indicador de que o abalo explosivo pode acontecer a qualquer momento. O Grau 1 corresponde ao estado natural do homem.

Grau 2: Dá-me cá uns abalos ao pífaro!!

É o abalo típico do homem que leva o corte, a tampa, em breve, do gajo que é rejeitado. Soa a indiferença, com um insinuar de ela nem valia nada, mas é mais profundo que isso. Afinal de contas o pífaro fica mesmo abalado e interroga-se onde é que eu falhei?

Grau 3: Dás-me cá uns abalos ao pífaro...

É o abalo do engate masculino de Verão 2006, no Tuvalu, ditador da moda de engates contendo a palavra abalo. É o primeiro passo para meter conversa com as míudas. O homem, abre os botões da camisa até meio, puxa do medalhão dourado, palita os dentes com a unha comprida do dedo mindinho, e com um sorriso rasgado, aproxima-se do alvo e susurra-lhe, tão proximo quanto possivel, um Dás-me cá uns abalos ao pífaro... deixando pairar a sensação de mistério e surpresa...

Grau 4: Abala-me o pífaro.

Ultrapassado o dás-me cá uns abalos ao pífaro (após muitas tentaivas porque normalmente depois desse retrocede-se ao grau 2) com sucesso, o segundo passe de mágina no engate: Abala-me o pífaro. Dito com muita sensualidade e com certo grau de intimidade pode fazer milagres. No mesmo sentido pode ser utilizado um Embála-me o pífaro.

Grau 5: Deixaste-me o pífaro abalado!
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É o terror, o caos, a queda do império, o desvanecer de todos os sonhos, o deixar a flor murchar. Estado irreversível e com têndencia a agravar-se.
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Grau 6: Ele tem um pífaro abalado!!
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Pode acontecer em qualquer lado, inclusivamente numa conversa-de-casa-de-banho de senhoras!!
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Portanto meus senhores e minhas senhoras quando pensarem em dar abalos ao pífaro vejam lá no que se metem!!

quarta-feira, agosto 30, 2006

Regresso às aulas é na Psicasténica

Está a acabar a silly-season…é o cliché desta época do ano, verdade? Ele é o retorno do campeonato de futebol, as rentrées políticas e claro, o regresso às aulas! É adorável ver as carinhas sorridentes dos petizes a caminho da escolinha. Que bom! Uma mochila nova! O estojo dos lápis de cor! Aqueles olhinhos brilhantes que dizem “voltar à escola é mesmo bom”! O TANAS! Mas alguém ficava contente quando cheirava a fim de Agosto? Façam lá um esforço de memória e lembrem-se da agonia que era ver os anúncios de regresso às aulas (=fim de férias). E voltar a vestir calças e roupa de manga comprida (=fim de férias)? E ouvir os pais dizer que “este ano não te podes descuidar” (=fim de férias)? Mas o fantástico mundo da publicidade faz com que tudo isto pareça um mar de rosas! Já pensaram como seria credível o anúncio “Funerária Lemos - funerais dignos de um rei”? Imaginem só um jardim florido em que até a viúva sorria ao ver um féretro com as cores da moda e acolchoado com veludo italiano. Os filhos do defunto surgem em grande plano a sorrir convencendo-nos que querem ser os próximos a ir desta para melhor e no fim, um close-up do finado com um ar angelical e um sorriso maroto a querer aparecer nos seus lábios roxos. Em escala diferente é o que querem as cadeias de hipermercados fazer com o regresso às aulas (até a expressão deve estar patenteada). O mundo da publicidade fascina-me e aproveitei a deixa de uma pessoa amiga para me referir a ele. Mas não vos amolo mais…fico à espera das vossas reacções aos reclames mais infames, enquanto na minha cabeça pululam anúncios de pensos higiénicos em que alegria é tão contagiante (só pode, para fazer um gajo esquecer para que é que eles servem) e só comparável à alegria da família que toma contacto com Kinder Surpresa (como se tivessem resolvido o problema da pobreza no mundo). Entretanto olho para o rótulo da minha Pedras Pêssego com Ginseng que diz “desfrute de momentos únicos de prazer”…PORRA! É UMA GARRAFA DE ÁGUA!

Sub-Lodo

quinta-feira, agosto 17, 2006

Considerações do Katano: você não faz ideia do que come nas tascas portuguesas



No outro dia confrontaram-me com a ideia de que os posts psicasténicos, apesar de variados, carecem sempre de fundamentação, sendo mais baseados em rumores e teorias do que factos propriamente ditos (perdoa-os, Anselmo, porque não sabem o que dizem...). Assim, decidi fazer pesquisa para este post. Tudo o que ler aqui resulta da análise a dezenas de livros de culinária manhosa, pseudo-entrevistas a donos de tascas (falei com um e basta) e relatórios de saúde alimentar (gentilmente furtados a estudantes de veterinária). Se é daqueles que acha que já viu tudo, que sabe tudo, e que nada pode ser aprendido neste blog, então este é o post para si.
Túbaros de porco? .... sabe o que são, cibernauta? É um prato cozinhado no norte que consiste em nada mais nada menos do que testiculos de porco com legumes à mistura. Tomates de porco!!!! Quem raio é que se lembra de cozinhar tomates de porco?! «Hey querida, hoje apetecia-me algo diferente. Podes ir arrancar os tomates ao porco para comer túbaros?». Que se mate o animal para fazer bifes e febras tudo bem, isso é digno. Agora, capar o bicho e comer-lhe os berlindes é cruel. E sopa de cérebro? já ouviu falar? É um prato muito apreciado na altura da matança do porco na Beira Interior, e é feito com.... adivinhe lá: cérebro de porco!!! Basicamente eles fazem uma canja com os miolos do bicho. Acha nojento? Então é porque ainda não provou língua de vitela. Não acredita? Vá a Santarém e entre na tasca da Ti joana. Peça o menu e bom apetite... De certeza que já provou sopa de cobra! Não?! É uma iguaria do interior. E não me façam falar de caracois.....
Se é daqueles crédulos que acha que nos restaurantes portugueses não se comem porcarias ficará chocado por descobrir que 89% dos restaurantes chineses estão em situação irregular devido à infracção de pelo menos uma regra da A.S.A.E. (Autoridade para a Segurança Alimentar e Economica). As más noticias para aqueles que pensavam ser os chinocas os únicos responsáveis são que a A.S.A.E., em apenas 5 meses, detectou em 273 estabelecimentos (portugueses) irregularidades que levaram à recolha de produtos no valor da 2,7 milhões de euros. É muito guito! O mesmo organismo estima que 3 em cada 5 cozinheiros de tascas só lavam as mãos quando saiem do trabalho. Partindo do principio de que o ser humano típico faz 3 pausas para mijar por dia... consegue imaginar o resto. Mas coragem, nem tudo são más noticias. Ok, cozinhamos com pouca higiene, mas somos excelentes cozinheiros e se tomar a devidas precauções pode comer à vontade em tascas.
Faça o que fizer não olhe para a cozinha!! Só se vai arrepender se o fizer. Peça apenas pratos em que possa identificar todos os ingredientes (eu sei, isto exclui a feijoada, a cabidela, o sarrabulho, o empadão, etc... mas é para o seu bem). Finja que é inspector sanitário. Desta forma cozinham-lhe os melhores pratos. Como é que finge? Fácil. Faça perguntas sobre as licenças, a ventilação, as datas do controlo de pestes, peça para ver o livro de reclamações, pergunte a origem dos produtos e estranhe a ausência de toca na cozinheira.
Com fome, caro cibernauta? Longe de o querer assustar, pense nisto como um alerta. A gastronomia portuguesa é boa, desde que não se saiba como é preparada. Acima de tudo espero ter-vos «aberto o apetite» para mais posts psicasténicos.

Abraço do Katano (que por esta altura deve estar a jantar)

sábado, agosto 12, 2006

S.O.S



O caso é grave. O Sr. Anselmo já está a caminho do médio oriente, a pé... para não levantar suspeitas... faz de conta que vai só comprar o jornal...
Depois de uma noite em claro e uma garrafa de whisky, decidi que estou em perigo e que o melhor é enviar esta mensagem secreta para que os maus não saiam impunes. Conto convosco...
Separava uma ou outra espinha, que mãos negligentes deixaram escapar no meu bacalhau à brás, quando uma sensação de alarme e mau estar se começou a apoderar de mim... olhei à minha volta, mas nada... tudo absolutamente normal... voltei a concentrar-me na separação das espinhas do bacalhau e a senção voltou mais forte... eu pensei, bichinho é um sinal... mudei-me para a útima mesa, a do cantinho, pus os óculos de sol (e como estava calor para a gabardina, optei pelo simples bigode) e pus-me a observar tudo atentamente, mas nada. Retiro o disfarce volto às espinhas e... de repente fez sentido, separar o trigo do joio, o bom do mau, e a imagem do marroquino veio-me à cabeça. Tudo começou encaixar, as noticias, o comportamento, tudo, tudo ,tudo!
Pedi um café e acendi um cigarro para comunicar com o Sr. Anselmo, através das bolas de fumo que nem consigo fazer...
E sim... Tudo encaixa... reparem...
De acordo com as informações do Sr. Anselmo, o Marroquino simpático lá do café veio para o nosso país mais coisa menos coisa há dez ou quinze anos... casou-se e fez a sua vida como qualquer outro, só que não vendia tapetes na rua nem frôr nos cafés... não... abriu um café (com que dinheiro?? e porquê aqui, nesta cidadezinha? Toda a gente sabe que para se vencer na vida é preciso sair daqui e não vir para aqui, eu inclusivé, até já tive velhotas simpáticas que me disseram isso mesmo no autocarro).
Mas não é um café qualquer, é um netcafé (mas não tem sitío na internet? porquê, porque a publicidade não é desejada, porque ele quer passar despercebido...).
E as horas a que ele abre o café... é conforme lhe apetece, uma pessoa nunca sabe... esta semana por exemplo, esteve fechado sem explicar nada a ninguém na quarta e na quinta...
A minha preocupação aumentava e nos resquícios daquilo que poderia ter sido uma bela bola de fumo vejo a informação fatal, a informção que faltava afinal o marroquino não é marroquino, é arábe... das arábias... das mil e uma noites e dos 40 ladrões e do ali bábá... Senti-me ultrajada.
Não sei que faça... tudo bate certo... ele é de certeza um deles... ainda não consegui abrir o site do FBI para ver os mais procurados, mas tudo, o disfarce (olha nós que anos e anos achamos que ele era marroquino!!), o café para comunicar com os camaradas à vontade, os timings... tudo bate certo... não pode deixar de ser...
Acho que vou comprar o jornal e vou lá beber um café naquela do "hem... então ainda não encontrarm os suspeitos todos...." para ver se ele deixa cair a bandeja com os cafés, a confirmação que falta. Desejem-me boa sorte! E ao Sr. Anselmo que foi à procura das pegadas que o trouxeram... Se eu não voltar a aparecer, vejam se descobrem esta mensagem secreta e tomem providências...