quinta-feira, agosto 17, 2006

Considerações do Katano: você não faz ideia do que come nas tascas portuguesas



No outro dia confrontaram-me com a ideia de que os posts psicasténicos, apesar de variados, carecem sempre de fundamentação, sendo mais baseados em rumores e teorias do que factos propriamente ditos (perdoa-os, Anselmo, porque não sabem o que dizem...). Assim, decidi fazer pesquisa para este post. Tudo o que ler aqui resulta da análise a dezenas de livros de culinária manhosa, pseudo-entrevistas a donos de tascas (falei com um e basta) e relatórios de saúde alimentar (gentilmente furtados a estudantes de veterinária). Se é daqueles que acha que já viu tudo, que sabe tudo, e que nada pode ser aprendido neste blog, então este é o post para si.
Túbaros de porco? .... sabe o que são, cibernauta? É um prato cozinhado no norte que consiste em nada mais nada menos do que testiculos de porco com legumes à mistura. Tomates de porco!!!! Quem raio é que se lembra de cozinhar tomates de porco?! «Hey querida, hoje apetecia-me algo diferente. Podes ir arrancar os tomates ao porco para comer túbaros?». Que se mate o animal para fazer bifes e febras tudo bem, isso é digno. Agora, capar o bicho e comer-lhe os berlindes é cruel. E sopa de cérebro? já ouviu falar? É um prato muito apreciado na altura da matança do porco na Beira Interior, e é feito com.... adivinhe lá: cérebro de porco!!! Basicamente eles fazem uma canja com os miolos do bicho. Acha nojento? Então é porque ainda não provou língua de vitela. Não acredita? Vá a Santarém e entre na tasca da Ti joana. Peça o menu e bom apetite... De certeza que já provou sopa de cobra! Não?! É uma iguaria do interior. E não me façam falar de caracois.....
Se é daqueles crédulos que acha que nos restaurantes portugueses não se comem porcarias ficará chocado por descobrir que 89% dos restaurantes chineses estão em situação irregular devido à infracção de pelo menos uma regra da A.S.A.E. (Autoridade para a Segurança Alimentar e Economica). As más noticias para aqueles que pensavam ser os chinocas os únicos responsáveis são que a A.S.A.E., em apenas 5 meses, detectou em 273 estabelecimentos (portugueses) irregularidades que levaram à recolha de produtos no valor da 2,7 milhões de euros. É muito guito! O mesmo organismo estima que 3 em cada 5 cozinheiros de tascas só lavam as mãos quando saiem do trabalho. Partindo do principio de que o ser humano típico faz 3 pausas para mijar por dia... consegue imaginar o resto. Mas coragem, nem tudo são más noticias. Ok, cozinhamos com pouca higiene, mas somos excelentes cozinheiros e se tomar a devidas precauções pode comer à vontade em tascas.
Faça o que fizer não olhe para a cozinha!! Só se vai arrepender se o fizer. Peça apenas pratos em que possa identificar todos os ingredientes (eu sei, isto exclui a feijoada, a cabidela, o sarrabulho, o empadão, etc... mas é para o seu bem). Finja que é inspector sanitário. Desta forma cozinham-lhe os melhores pratos. Como é que finge? Fácil. Faça perguntas sobre as licenças, a ventilação, as datas do controlo de pestes, peça para ver o livro de reclamações, pergunte a origem dos produtos e estranhe a ausência de toca na cozinheira.
Com fome, caro cibernauta? Longe de o querer assustar, pense nisto como um alerta. A gastronomia portuguesa é boa, desde que não se saiba como é preparada. Acima de tudo espero ter-vos «aberto o apetite» para mais posts psicasténicos.

Abraço do Katano (que por esta altura deve estar a jantar)

sábado, agosto 12, 2006

S.O.S



O caso é grave. O Sr. Anselmo já está a caminho do médio oriente, a pé... para não levantar suspeitas... faz de conta que vai só comprar o jornal...
Depois de uma noite em claro e uma garrafa de whisky, decidi que estou em perigo e que o melhor é enviar esta mensagem secreta para que os maus não saiam impunes. Conto convosco...
Separava uma ou outra espinha, que mãos negligentes deixaram escapar no meu bacalhau à brás, quando uma sensação de alarme e mau estar se começou a apoderar de mim... olhei à minha volta, mas nada... tudo absolutamente normal... voltei a concentrar-me na separação das espinhas do bacalhau e a senção voltou mais forte... eu pensei, bichinho é um sinal... mudei-me para a útima mesa, a do cantinho, pus os óculos de sol (e como estava calor para a gabardina, optei pelo simples bigode) e pus-me a observar tudo atentamente, mas nada. Retiro o disfarce volto às espinhas e... de repente fez sentido, separar o trigo do joio, o bom do mau, e a imagem do marroquino veio-me à cabeça. Tudo começou encaixar, as noticias, o comportamento, tudo, tudo ,tudo!
Pedi um café e acendi um cigarro para comunicar com o Sr. Anselmo, através das bolas de fumo que nem consigo fazer...
E sim... Tudo encaixa... reparem...
De acordo com as informações do Sr. Anselmo, o Marroquino simpático lá do café veio para o nosso país mais coisa menos coisa há dez ou quinze anos... casou-se e fez a sua vida como qualquer outro, só que não vendia tapetes na rua nem frôr nos cafés... não... abriu um café (com que dinheiro?? e porquê aqui, nesta cidadezinha? Toda a gente sabe que para se vencer na vida é preciso sair daqui e não vir para aqui, eu inclusivé, até já tive velhotas simpáticas que me disseram isso mesmo no autocarro).
Mas não é um café qualquer, é um netcafé (mas não tem sitío na internet? porquê, porque a publicidade não é desejada, porque ele quer passar despercebido...).
E as horas a que ele abre o café... é conforme lhe apetece, uma pessoa nunca sabe... esta semana por exemplo, esteve fechado sem explicar nada a ninguém na quarta e na quinta...
A minha preocupação aumentava e nos resquícios daquilo que poderia ter sido uma bela bola de fumo vejo a informação fatal, a informção que faltava afinal o marroquino não é marroquino, é arábe... das arábias... das mil e uma noites e dos 40 ladrões e do ali bábá... Senti-me ultrajada.
Não sei que faça... tudo bate certo... ele é de certeza um deles... ainda não consegui abrir o site do FBI para ver os mais procurados, mas tudo, o disfarce (olha nós que anos e anos achamos que ele era marroquino!!), o café para comunicar com os camaradas à vontade, os timings... tudo bate certo... não pode deixar de ser...
Acho que vou comprar o jornal e vou lá beber um café naquela do "hem... então ainda não encontrarm os suspeitos todos...." para ver se ele deixa cair a bandeja com os cafés, a confirmação que falta. Desejem-me boa sorte! E ao Sr. Anselmo que foi à procura das pegadas que o trouxeram... Se eu não voltar a aparecer, vejam se descobrem esta mensagem secreta e tomem providências...

terça-feira, julho 25, 2006

Foi na loja do Mestre André


Ele foi uma autêntica pasta medicinal Couto: andou nas bocas de Portugal! Nunca se falou tanto de um homem por causa do seu pífaro. Caros Psicasténicos, tenho a honra de lembrar o Mestre André. André de Orey e Sá de seu nome original, Dezinho para os amigos e Mestre para a generalidade das pessoas (devido ao Mestrado em Engenharia do Papel). Cedo sentiu o apelo da música e depois de ter sido enxovalhado em meia dúzia de conservatórios, abriu o seu negócio de pifarinhos e tamborzinhos…quem não se lembra do genérico: “Foi na loja do Mestre André etc…”. Fortemente ligado ao corporativismo do Estado Novo, sentiu as agruras da vida no período pós-25 de Abril. Nas suas doutas palavras, “a cambada de cães do Otelo deu-me cabo da vida”. Foi então que desapareceu da ordem do dia, ficando apenas (para trauma das crianças portuguesas o que de algum modo explica certos atrasos estruturais que o país atravessa) o genérico da sua loja. Porém, o negócio corria-lhe no sangue, bem como a heroína que vendia nas ruas corria no sangue dos seus clientes; sol de pouca dura: as autoridades avessas a estes impulsos capitalistas de enriquecer com o próprio negócio levaram o homem uns anitos para a pildra. Mestre André encontrou um mundo novo quando saiu passados 20 anos (para além do tráfico de estupefacientes viu-se a braços com o suposto homicídio da mulher e das filhas que alega terem escorregado depois deste encerar a casa e infortúnio dos infortúnios, terem caído precisamente 5 vezes no colo de Mestre André quando este segurava uma faca de trinchar). Voltou a sentir o apelo do negócio, todavia o comércio tradicional fora engolido pelas grandes superfícies. Lançou-se nas televendas com um espaço de venda de armas, mas, segundo o próprio “eu não tinha a ajuda das dobragens porque falava português, nem uma figura como o Goucha para dar pinta à coisa”. Fracassou depois de ser obrigado a vender o stock a preços de amigo ao PNR para pagar as dívidas. Felizmente, hoje é um homem feliz e é mesmo à porta da Escola Primária nº1 da Arrentela que Mestre André abriu a sua sex-shop. “Ora vejam lá que as pequrruchas já cantam: foi na loja do Mestre André que eu comprei um vibrador, hmm, hmm, hmm, um vibrador!”.
Sub-Lodo
P.S.: a Psicasténica não morreu. Esteve de férias.

sábado, julho 08, 2006

Considerações do Katano: sr. Anselmo e o coxo que falava por assobios



Mais mito que homem, mas ainda assim mais homem que muitos, o sr. Anselmo é uma figura que em poucos meses gozou de de uma subida ao estatuto de estrela. O homem que teve a ideia de criar relógios de pulso enquanto comia amendoins, que já sobreviveu forçando mendigos a plastificarem documentos por um euro para saciar o seu vício de karting e que mora numa residência grátis (pelo menos enquanto durarem as visitas nocturnas à gorda senhoria), decidiu contar mais um pouco da sua vida. Assim, caro leitor, está perante uma história que não figura na sua biografia (publicada vários posts atrás).
Segundo o sr. Anselmo, esta história sucedeu à vários anos atrás, mas propriamente quando ainda era seguro andar à noite em Lisboa (portanto à mesmo muitos anos...). Figura estimada pelo inexplicável aumento de natalidade nas terras que percorria, o jovem sr.Anselmo decide estabilizar a sua vida (durante uma semana) e toma como lar uma bonita aldeia constituida por pouco mais de três casebres, um palheiro e uma casa de alterne. Eram tempos duros... Ninguém dava nada a ninguém. A vaca da aldeia só dava leite por tabaco de mascar (vício que contraiu na ultima feira de bovinos de Moscavide), as pessoas cobravam 5 centavos para dizerem «olá» e o café era feito de.......... (o sr. Anselmo começou a chorar neste momento e disse-me para esquecer o café).
Foi neste contexto que o sr. Anselmo conheceu a paixoneta do mês: Clotilde, parteira sem formação e dançarina exótica na casa de alterne da aldeia. Contudo este amor estava fadado ao falhanço dado que a inexistência de outras strippers na aldeia forçava clotilde a fazer turnos de 22 horas na boate (tinha de se despir muito devagar) o que lhe dava pouco tempo para estar com o seu fiel apaixonado (caso este não estivesse com outra, claro). Contudo, e porque perdeu uma aposta a jogar às cartas, o sr. Anselmo decide pedir Clotilde em casamento no fim do turno. Não queria perder muito tempo porque para a semana tinha de se apresentar na GNR de Sacavém por excesso de velocidade ao volante de um carro de bois. Quando estava prestes a entrar na casa de alterne, o jovem sr. Anselmo ouve um assobio. Quando se vira depara-se com um homem como uma deformidade horrível................. ele falava por assobios!!! Ah, e era coxo. O homem soltou um assobio longo e subitamente, o sr. Anselmo vê-se rodeado por 23 moçambicanos e meio! As coisas não estavam fáceis, e por isso o nosso herói procura por algo que o possa ajudar. Encontra a resposta no bolso das calças............ um palito (afiado só de um lado e usado do outro).

(CONTINUA....)

Como conseguirá o sr.Anselmo sair desta com um palito afiado só de um lado? Quem é o misterioso coxo que fala por assobios e contratou 23 moçambicanos e meio para o atacarem? Terá alguma ligação a Clotilde, parteira e stripper com turnos de 22 horas? E qual será o prato do dia na Tasca do Manecas? Para saber a resposta a isto não perca as próximas.............. Considerações do Katano: sr. Anselmo e o homem que se babava pelo nariz.