
Como tal, sinto…que perdi algo de mim; alguma deprimência que me caracterizava. Neste momento, uma série de conhecimentos que possuo, passam a ser inúteis; uma certa piada que metia ser “o que ainda não tem carta aos 27 anos”, acabou.
Por exemplo, os atalhos todos da cidade para se chegar mais depressa a qualquer lado a pé, deixaram de fazer sentido; poder dizer alto e em bom som “eu posso emborrachar-me, porque depois não levo o carro”, já não pega; ser uma autêntica enciclopédia CP, sabendo que tenho que apanhar o Intercidades das 13:22 na Guarda para sair às 15:17 na Pampilhosa, apanhar o Regional das 15:53, para chegar ao Porto (Campanhã!) antes das 20:30, não me serve de nada; e tão pouco posso meter conversa com as miúdas com um sempre sedutor “Olá, babe! Sabes que o Expresso da Joalto que sai de Castelo Branco às 13:42 te leva directamente a Lisboa, mas tens que dizer ao motorista se quiseres sair no Aeroporto ou no Arco do Cego, senão vais parar ao centro intermodal de Sete Rios?”. E como se não bastasse, já não posso ser o único a levantar a mão no café-concerto do Teatro Municipal da Guarda completamente esgotado, quando os nossos queridos amigos e seguidores Ricardo Araújo Pereira e Nuno Markl perguntam quem é que ainda não tirou a carta de condução!
Acabou-se o táxi do Tigrão e o Pai dele a perguntar-lhe com ar incrédulo porque é que não tenho a carta…
Acabou-se o Katano a ir buscar-me à Rodoviária e levar-me a casa dele onde posso bater no gato e comer o delicioso pequeno-almoço preparado pelas irmãs…
Acabou-se ter que arranjar um esquema muito manhoso para chegar a Coimbra a certa hora para apanhar boleia do Filipe a essa mesma hora para depois ir ter a Tomar à Summer Party da Bichinho…
Ficam as recordações e os 372 amigos taxistas de Coimbra e Lisboa que trato por tu.



